A eliminação do Brasil na Copa do Mundo pode ser uma oportunidade para ensinar crianças a lidar com a frustração. Veja como acolher emoções e fortalecer competências socioemocionais. 
 
A eliminação do Brasil da Copa do Mundo 2026 deixou muitos torcedores frustrados — e com as crianças e adolescentes não é diferente. Tristeza, raiva e decepção fazem parte desse momento, mas também podem se transformar em uma oportunidade para desenvolver competências socioemocionais importantes, como resiliência e autorregulação. 

Afinal, como ajudar seu filho a lidar com essa frustração? 

O que a eliminação do Brasil pode ensinar às crianças? 

Quando algo não acontece como esperado, nosso cérebro precisa aprender a lidar com a diferença entre expectativa e realidade. 

Esse processo é chamado de tolerância à frustração e começa a ser desenvolvido ainda na infância. 

Perder um jogo, não conseguir uma figurinha, errar uma prova ou ouvir um “não” são situações que ajudam a criança a construir recursos emocionais para enfrentar desafios maiores ao longo da vida. 

Em vez de evitar esses momentos, o papel dos adultos é acolher, orientar e ensinar formas saudáveis de lidar com eles. 

Por que a frustração é importante para o desenvolvimento humano? 

Embora desconfortável, a frustração contribui para o desenvolvimento de diversas competências socioemocionais. 

Ela ajuda a criança a: 

  • reconhecer e compreender emoções 
  • desenvolver autorregulação emocional 
  • fortalecer a resiliência  
  • aprender que nem sempre terá controle sobre os acontecimentos 
  • encontrar estratégias para superar dificuldades 
  • desenvolver persistência diante dos desafios 

Essas habilidades serão importantes não apenas durante a infância, mas em toda a vida.

 

Como ajudar seu filho a lidar com a frustração após a eliminação do Brasil? 

1. Valide o sentimento da criança 

Lembre-se, essa geração de crianças e adolescentes nunca viram a seleção masculina ser campeã do mundo. São muitas expectativas, desejos e fantasias não realizados. Evite frases como: 

  • “Foi só um jogo.”  
  • “Não precisa chorar.”  
  • “Esquece isso.”  

Embora bem-intencionadas, essas respostas podem fazer a criança e o adolescente acreditarem que sentir tristeza ou raiva é errado. 

Prefira acolher a emoção.

 

Você pode dizer: “Eu percebi que você ficou muito triste porque o Brasil perdeu. Tudo bem se sentir assim.” 

Quando a criança se sente compreendida, fica mais preparada para lidar com suas emoções. Se você se sentir confortável, diga como você se sente: “Eu também fiquei muito triste com a eliminação do Brasil.”

2. Dê nome ao que ela está sentindo 

Muitas crianças e mesmo adolescentes ainda não conseguem identificar o que estão vivendo emocionalmente. 

Dar nome aos sentimentos ajuda o cérebro a organizar essa experiência. 

Você pode dizer: 

  • “Isso que você está sentindo é frustração.”  
  • “Parece que você ficou decepcionado.”  
  • “É normal sentir raiva quando algo não acontece como esperávamos.”  

Quanto maior o repertório emocional da criança, mais fácil será expressar seus sentimentos de forma saudável. 

3. Ofereça segurança e acolhimento 

Em momentos de tristeza, o contato físico pode trazer conforto e segurança. 

Um abraço, permanecer ao lado da criança ou simplesmente escutá-la sem julgamentos ajuda a reduzir o estresse e fortalece o vínculo emocional. 

Se ela não quiser abraço naquele momento, respeite seu espaço. Estar presente também é uma forma de acolher. 

4. Ajude a encontrar estratégias para se sentir melhor 

Depois de acolher o sentimento, convide a criança ou o adolescente para pensar em maneiras saudáveis de lidar com ele. 

Pergunte: “O que podemos fazer quando estamos muito tristes ou com raiva?” 

Algumas possibilidades são: 

  • conversar sobre o que aconteceu
  • desenhar
  • brincar
  • praticar um esporte
  • ouvir música 
  • respirar profundamente 
  • caminhar 
  • passar um tempo com a família 

Essa conversa ajuda a desenvolver autorregulação e autonomia emocional.

 

A derrota também pode ensinar 

A Copa do Mundo desperta paixão, expectativa e emoção. Mas ela também oferece oportunidades para conversar sobre temas importantes. 

Afinal, nem sempre ganhamos. 

Aprender a perder faz parte do desenvolvimento de qualquer criança. 

Quando os adultos acolhem a frustração sem minimizar os sentimentos, ensinam que emoções difíceis passam, podem ser compreendidas e não precisam ser evitadas. 

Esse é um aprendizado que vai muito além do futebol. 

Conclusão 

Nem sempre conseguimos evitar que as crianças sintam frustração — e isso não é um problema. Pelo contrário: momentos como a eliminação do Brasil na Copa podem se transformar em oportunidades valiosas para desenvolver competências que elas levarão para toda a vida.

 

É justamente esse o propósito do My Life, solução de educação socioemocional da Conexia Educação, desenvolvida em parceria com o Instituto Ayrton Senna e alinhada à BNCC. Por meio de uma metodologia estruturada, o My Life apoia escolas e famílias no desenvolvimento de habilidades como autorregulação, empatia, resiliência e autonomia, transformando situações do cotidiano em experiências significativas de aprendizagem.